Por José Baeta

Rito Moderno

O Rito Francês ou Moderno — sua história se mistura à da própria Maçonaria, presente desde as origens.

1717
Grande Loja de Londres
1786
7 Graus codificados
1801
Régulateur du Maçon
1822
Rito no Brasil
+300 anos

O Rito Francês ou Moderno

Por José Baeta

Abordar a história do Rito Moderno se afigura como expediente complexo, de difícil realização. Isso porque, sua origem se mistura à da própria Maçonaria, sendo cercada por incertezas, achismos e até desnecessários misticismos que fogem de uma análise concreta, racional e científica. Em que pese existirem documentos e fontes fidedignas que apontem com maior clareza para a origem do Rito – e da própria Maçonaria – certo é que existem lacunas que dificilmente serão preenchidas totalmente.

Há mais de 300 anos a história da Maçonaria é marcada pela sua reivindicação e descendência das guildas ou corporações medievais de artesãos e construtores, verdadeiros pedreiros livres. Atribui-se tal denominação – pedreiros livres – pelo fato de tais grupos serem conhecidos pela capacidade de proteger tanto sua arte quanto seus pares, mediante compromissos de segredo e de um sistema progressivo de desenvolvimento de suas habilidades, de modo a garantir a qualidade das construções. Ainda, eram conhecidos por serem "livres" haja vista poderem transitar entre os diversos locais em que eram solicitados, ao contrário dos servos que estavam presos à terra onde viviam e trabalhavam.

Sem embargos das importantes contestações acerca deste fato – sobretudo em relação às datas – parte-se do ano de 1717, em Londres, que o que chamamos atualmente de Maçonaria especulativa ganha corpo e sucede a então Maçonaria operativa, focada na organização das confrarias de construtores e delimitação dos critérios de admissão de pessoas estranhas ao meio. Assim, conforme doutrina maçônica majoritária, em 24 de junho de 1717 se funda a chamada "Maçonaria Especulativa", com a criação da Grande Loja de Londres e Westminster.

A Publicação de Prichard (1730)

Em 1730, também na Inglaterra, ocorre outro importante fato que impactou de sobremaneira na Maçonaria em si e, consequentemente, nas práticas do que hoje conhecemos por Rito Moderno: Samuel Prichard publica, em meio profano, as práticas ritualísticas até então trabalhadas pelos membros da Grande Loja de Londres e Westminster. Tal vazamento é publicizado na importante obra "Maçonaria Dissecada".

A divulgação de Prichard causa grande inquietude nos maçons da Grande Loja de Londres e Westminster, fazendo-os alterar substancialmente algumas de suas práticas, como, por exemplo, invertendo as colunas, incluindo palavras de reconhecimento até então inexistentes, alterando a própria disposição da sala de reuniões, dentre outras coisas.

A Cisão: Antigos x Modernos

Em 1751, é fundada a Grande Loja da Inglaterra de Acordo com os Antigos Costumes. Os maçons desta recém-criada Grande Loja carinhosamente apelidaram os maçons da Grande Loja fundada em 1717 de "MODERNOS", em claro tom pejorativo graças à mudança de determinadas práticas ocorridas naquela primeira.

Críticas dos "Antigos" aos "Modernos":

  • Abreviação de cerimônias maçônicas
  • Inversão das tradicionais palavras de reconhecimento dos 1º e 2º graus (1730–1740)
  • Abolição das orações em Lojas
  • Abolição da leitura das Antigas Obrigações nas iniciações

O Rito em Solo Francês

Será em terras francesas que as práticas primordiais do Rito Moderno – trazidas da Inglaterra – vão sofrer várias adaptações e transformações, primeiro dentro de uma intitulada Grande Loja da França e, então, a partir de 1772, no seio do seu sucessor, o Grande Oriente da França.

De plano é importante citar que o Grande Oriente Francês não batizou seus rituais de "Rito Francês", destacando que este nome não aparece nos regulamentos e rituais originais, tampouco nas deliberações em que esses rituais foram aprovados. Em 1800, por exemplo, é possível encontrar comunicações escritas que se referiam apenas a um "Sistema do Grande Oriente".

Os 7 Graus do Rito Moderno (1786)

O Grande Oriente da França, no ano de 1786, reconheceu sete graus para o que hoje chamamos de Rito Moderno, incluindo os três simbólicos:

a) Simbólicos

1. Aprendiz
2. Companheiro
3. Mestre

b) Ordens de Sabedoria (Altos Graus)

4. Eleito – 1ª Ordem
5. Escocês – 2ª Ordem
6. Cavaleiro do Oriente e da Espada – 3ª Ordem
7. Cavaleiro Rosa-Cruz – 4ª Ordem

Régulateur du Maçon (1801)

Com base nos referidos estudos desta comissão, assim como utilizando-se dos manuscritos cunhados entre 1783 e 1786, o Grande Oriente da França finalmente codifica seu primeiro ritual dos graus simbólicos, datado formalmente de 1801 e denominado Régulateur du Maçon (Regulador do Maçom). O estudo do Regulador é de vital importância para o Rito Moderno, sendo ele a base para as práticas simbólicas do Rito.

O Rito Moderno no Brasil

Por José Baeta

Assim como no exterior, a história do Rito Moderno se confunde com a da própria Maçonaria Brasileira. Primeiro Rito praticado no país, sobre o qual o Grande Oriente do Brasil iniciou seus trabalhos, sua gênese está intrinsecamente ligada com os acontecimentos históricos dos séculos XVIII e seguintes.

1802

Loja Virtude e Razão – Bahia

Fundação da Loja Virtude e Razão, na Bahia, que trabalhava com base no Regulador do Rito Moderno de 1801 e que, posteriormente dividida em três, originou o que entendemos ser o primeiro Grande Oriente Brasileiro.

1822

Fundação do Grande Oriente do Brasil

O primeiro Ritual usado pela estrutura que se tornaria o GOB, logo no ano de sua fundação, era do Rito Moderno, tendo sido cedido do Grande Oriente Lusitano para a Loja Comércio e Artes. Foi impresso em Lisboa antes de 1814.

1831

Loja Inteligência – São Paulo

A primeira Loja da província de São Paulo, denominada Inteligência, em Porto Feliz, fundada a 19 de agosto de 1831, também veio a ser instalada no Rito Moderno.

1952

Supremo Conselho do Rito Moderno

O Grande Oriente do Brasil transfere para o Supremo Conselho do Rito Moderno a patente para trabalhar os altos Graus do Rito Francês ou Moderno, tornando-o a única e mais antiga potência maçônica mundial a trabalhar ininterruptamente, desde 1822, os altos graus do Rito Moderno.

Em conclusão, o Rito Moderno tem sua gênese na Inglaterra, torna-se uma tradição quase indivisa da Maçonaria francesa no século XVIII, viaja para inúmeros outros países, inclusive o Brasil, adequando-se às particularidades locais. No Brasil, também confunde-se com a história da própria Maçonaria, visto estar presente desde a sua chegada.

"Independente do período histórico em análise, o Rito é conhecido por romper paradigmas e trazer mais racionalidade à prática Maçônica, sem se afastar de suas tradições e conceitos seculares. Busca-se, porém, a valorização do Maçom enquanto possuidor de direitos e deveres, sendo colocado em primeiro plano, deixando questões institucionais e burocráticas em segundo lugar."

"O Rito Moderno não é apenas um desafio que vale a pena abraçar, mas uma realização da qual todos os maçons participaram e continuam participando, em busca da tão sonhada verdade."

— Em homenagem ao Ir.·. Antônio Onías Neto

Os Princípios do Rito Moderno

O Rito Moderno se fundamenta em princípios essenciais que orientam a prática maçônica e o desenvolvimento dos seus membros. Estes princípios representam os valores fundamentais que guiam a conduta dos maçons e a busca pelo aperfeiçoamento individual e coletivo.

Liberdade de Consciência

O respeito absoluto à liberdade de pensamento e consciência de cada indivíduo, sem imposição de dogmas ou doutrinas.

Fraternidade Universal

A promoção da fraternidade entre todos os seres humanos, independentemente de origem, raça ou crença.

Racionalidade e Iluminismo

A valorização da razão, do conhecimento científico e do pensamento crítico como ferramentas de evolução pessoal.

Aperfeiçoamento Moral

O compromisso constante com o desenvolvimento ético e moral, buscando sempre ser uma versão melhor de si mesmo.

Busca pela Verdade

A procura incessante pelo conhecimento e pela verdade, reconhecendo que esta é uma jornada contínua.

Tolerância e Respeito

A prática da tolerância e do respeito mútuo, valorizando a diversidade de opiniões e perspectivas.

Aclamação do Rito Moderno

LIBERDADE – IGUALDADE – FRATERNIDADE

Pratique o Rito Moderno Conosco

A ARLS Joaquim Américo Guimarães estuda e pratica o Rito Moderno em Curitiba-PR, trabalhando sob os auspícios do GOB e do GOB-PR.